A Segunda Epístola de Pedro é uma carta de despedida carregada de autoridade apostólica. Escrita pouco antes do seu martírio em Roma (aprox. 65-67 d.C.), Pedro não foca mais na perseguição externa (como em 1 Pedro), mas sim no perigo interno: os falsos mestres que distorciam a graça de Deus para justificar a imoralidade. A palavra-chave deste livro é conhecimento (do grego epignosis), apresentado como a única vacina eficaz contra a apostasia e o engano espiritual.
Pedro sabe que o seu "tabernáculo" (seu corpo) está prestes a ser desarmado. Ele escreve para que, após a sua partida, os crentes tenham um registro firme da verdade. O cenário era de infiltração: pessoas dentro da igreja negavam a segunda vinda de Cristo e desprezavam a autoridade apostólica. Pedro responde reafirmando que a fé cristã não se baseia em "fábulas engenhosas", mas no testemunho ocular da glória de Cristo e na palavra profética inspirada.
A carta é dividida em três capítulos fundamentais que formam uma progressão lógica de defesa da fé:
Pedro apresenta a "Escada da Fé", uma lista de virtudes que o cristão deve cultivar (fraternidade, amor, paciência, etc.) para não se tornar infrutífero. Ele enfatiza que a Escritura não é de interpretação particular, mas homens falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo.
Uma seção dura e descritiva. Pedro alerta que assim como houve falsos profetas no passado, haverá falsos mestres no presente. Ele descreve o caráter deles: arrogantes, escravos da corrupção e motivados pela ganância. Pedro garante que, assim como Deus julgou os anjos caídos e o mundo de Noé, Ele também julgará os enganadores.
Pedro lida com os "escarnecedores" que perguntam: "Onde está a promessa da sua vinda?". Ele explica que o atraso aparente é, na verdade, a paciência de Deus, querendo que ninguém pereça. Ele descreve o fim do sistema mundial pelo fogo e a vinda de novos céus e nova terra, onde habita a justiça.
Em resumo, 2 Pedro é um chamado à firmeza. O apóstolo nos deixa um legado de vigilância, lembrando-nos que a verdade é absoluta e que o Rei que ascendeu aos céus certamente voltará. Nossa tarefa é crescer, conhecer e permanecer, até que o "Dia do Senhor" raie como a alva em nossos corações.